Acessibilidade e Respeito. Ajuda Não. Acessibilidade.

Cadeirante quer independência, não quer ajuda. Mas ninguém consegue ter independência se não tiver seus direitos de ir e vir respeitados. Assim como os andantes gostam de acessibilidade nós também gostamos.

O detalhe é que a maioria das pessoas pensa que a palavra acessibilidade só se aplica ao cadeirante. Ora, o que é uma escada senão um instrumento de acesso (acessibilidade) para o andante? O que é uma porta senão um instrumento de acesso (acessibilidade)?

Acessibilidade é exatamente aquilo que nos dá acesso, seja você andante ou cadeirante. A sacanagem da brincadeira é que só fizeram acessibilidade para quem anda e deixaram-nos, cadeirantes, de fora da festa.

Isso está lentamente (e com muita e árdua luta) sendo resolvido no Brasil. O grande entrave é:

Em primeiro lugar) a falta de ação dos nossos políticos, que em vez de administrarem a coisa pública e servir à população, se servem da coisa pública e só pensam no poder e no nosso sagrado dinheiro.

Em segundo lugar) a falta de vergonha na cara de pessoas que, sem nenhuma necessidade, estacionam seus carros sobre as poucas migalhas de rampas que temos, ou sobre as poucas vagas de estacionamento que nos são reservadas.

Digo falta de vergonha na cara sim, pois a essa altura do campeonato todos os motoristas do Brasil já têm total consciência a respeito do assunto acessibilidade para cadeirantes.

Todos já estão pra lá de carecas de saber para que servem aquelas vagas com o símbolo internacional de acesso estampado em azul sobre a vaga.

Todos já estão mais do que carecas de saber para que servem as rampas nas calçadas (quando raramente existem). Ninguém está fazendo nada por falta da tão propalada conscientização.

Sim, nós cadeirantes queremos independência. Para isso exigimos respeito. Não queremos sua ajuda, queremos nossos direitos respeitados. Se quiser mostrar que é bonzinho arrume outra vítima, porque o cadeirante não é vítima, é na verdade um cidadão desrespeitado.

Não queremos posar de heróis e muito menos de coitadinhos. Queremos apenas exercer nossa cidadania. Portanto, trate de respeitá-la. Estou cansado de ver hipócritas que todo domingo vão á igreja e que passam a semana criticando e até xingando nossos corruptos políticos, mas que diariamente estacionam seus carros nas nossas vagas.

Você acha que vaga de cadeirante é privilégio?

Porventura se você pensa assim, experimenta também usar nossa cadeira de rodas pelo resto de sua vida. Quando digo isso, aparecem pessoas torcendo o nariz e me dizendo que estou pegando pesado. Mas não vejo essas mesmas pessoas aparecerem quando meus direitos são solenemente desrespeitados por pessoas folgadas, que se julgam no direito de passar por cima do outro.

Essas pessoas que desrespeitam vagas de cadeirantes são extremamente covardes. Por que digo isso? Porque aqui em minha cidade existem diversas vagas reservadas para viaturas da Polícia Militar, e ninguém estaciona lá.

Ora, se é por falta de conhecimento, por falta de conscientização, por que não param seus carros lá? Mesmo porque a única indicação que existe são as letras PM pintadas no chão. Se elas conseguem ver isso, por que não enxergam o símbolo internacional de acessibilidade nas vagas de cadeirantes, que fica tanto no chão quanto na placa afixada bem na frente da vaga?

Sim, o cadeirante quer independência. Mas para isso, assim como todo e qualquer andante, ele precisa de acessibilidade. E respeito.

O que falar dos motoqueiros na questão da acessibilidade?

Os motoqueiros têm uma verdadeira tara por estacionarem suas motos sobre aquela bendita faixa zebrada na vaga de cadeirante.

Aquele espaço é reservado para o cadeirante ter a tal acessibilidade ao seu próprio carro, visto não conseguir transitar no beco estreito entre dois veículos.

Mas o motoqueiro não respeita isso. Alguns chegam ao disparate de argumentar de modo fajuto que não estão sobre a vaga de estacionamento reservada para cadeirante. Ora, aquela faixa é parte integrante da vaga.

E o que dizer dos idosos que ocupam as vagas de cadeirante?

Os idosos estão agora avançando pra cima dos direitos dos cadeirantes. Várias e várias vezes cheguei para estacionar na vaga específica de cadeirante e lá estava um carro de um idoso.

Pior: idoso de 60 anos que anda com total desenvoltura, sem nenhuma dificuldade de locomoção. Apesar da idade, devo perguntar: é ou não é uma baita cara de pau? Esse deveria respeitar os próprios cabelos brancos.

Mas agindo assim não se dá nem ao próprio respeito. E não, as vagas não são para uso comum entre cadeirante e idoso. Vaga de cadeirante é específica para cadeirante. Vaga de idoso é específica para idoso. Por isso, existem as duas. Simples assim.

Acessibilidade não é levada a sério no Brasil.

Tanto é verdade que você não vê os agentes da lei agirem em defesa dela.

Donos de bar colocam suas mesas e cadeiras sobre as calçadas, prejudicando a acessibilidade não somente do cadeirante, mas de toda a população. Que dia você viu algum fiscal de prefeitura aparecer para impedir isso? Se quiser, você que ande no meio da rua.

E o que dizer da falta de acessibilidade nos ônibus de transporte rodoviário?

Ironicamente todos os ônibus de transporte rodoviário trazem estampado no para-brisa e na porta lateral o logotipo internacional de acessibilidade.

Só que não há a mínima acessibilidade para qualquer cadeirante ou mesmo para qualquer outra pessoa que tenha mobilidade reduzida.

Você vê alguma fiscalização? Já denunciei em vários órgãos e todos me responderam que a lei está sendo cumprida.

Cumprida onde? Pois nunca vi meu direito respeitado por nenhuma empresa de transporte rodoviário de passageiros.

Passam anos e mais anos. Faço denúncias e mais denúncias. E nada muda. Nada. Absolutamente nada. Isso é respeito à acessibilidade? Isso é respeito ao cidadão?

Não, não quero uma mãozinha, uma ajudinha para subir aqui ou ali, para entrar aqui ou ali. Quero respeito à minha acessibilidade, ao meu direito de ir e vir.

E essa exigência, esse desabafo não é restrito aos nossos corruptos políticos não. Ele vale pra você, que dá uma de cidadão honesto, que vai todo domingo à igreja, que critica nossos políticos, mas que durante a semana pratica suas corrupções ao usurpar um direito alheio que não é seu, que nunca foi seu nem por um minuto.

Não, eu não quero a vaga de cadeirante. Eu preciso dela. É bem diferente de você, que em não precisando, a cobiça e a toma de mim com unhas e dentes. Pense nisso.

Junte-se a nós!

Deixe seu e-mail e receba vídeos e dicas imperdíveis para você ter qualidade de vida!>

O que você achou? Deixe seu comentário: