Definitivo: O que os cadeirantes mais querem e precisam

Em primeiro lugar precisamos discernir o “querer” do “precisar”. Uma coisa é o desejo e outra coisa é a necessidade.

Essas duas coisas andam tão próximas que não é raro confundirmos uma com a outra. Mas há, sim, diferenças básicas a serem observadas.

Vamos demarcar inicialmente 10 pontos e, ao longo do texto, observando o que é querer e o que é precisar.

  1. Eu quero ir à praia e entrar no mar. Como cadeirante eu preciso que o poder público me garanta acessibilidade. Isso pode ser feito através de esteiras que permitam a rodagem da cadeira de rodas sobre a praia sem atolar na areia.
  2. Eu posso querer (alguns precisam) de uma cadeira anfíbia para adentrar ao mar com mais conforto.
  3. Eu preciso de segurança, que pode ser oferecida por guarda-vidas bem treinados. Hoje, muitos municípios litorâneos Brasil afora já oferecem tudo isso durante o verão. Ou seja, ao mesmo tempo em que satisfaz um querer, também satisfaz uma necessidade (precisar) desta que é uma grande parcela da população brasileira.
  4. Eu quero sair de casa. Para isso eu preciso do transporte público acessível. Entra aqui outra obrigação do poder público, que é me oferecer um serviço de primeira necessidade para qualquer cidadão. Isto hoje é feito através de ônibus com elevadores ou com o serviço porta a porta através de vans, já existente em diversos municípios do país. Lembrando que sair de casa ora pode ser pelo simples querer, ora pode ser por uma questão de necessidade.
  5. Eu quero dirigir meu próprio carro. É uma opção minha, uma escolha pessoal. Para isso em preciso mandar instalar adaptações. Tais adaptações custam muito caro. Então eu preciso de um socorro por parte do poder público. Este socorro vem através da isenção de impostos no preço final do veículo a ser comprado. Não é um privilégio, é um balanceamento entre a minha condição de cadeirante e a dos andantes.
  6. Eu quero me locomover. Para isso eu preciso de uma cadeira de rodas que se adapte ao meu grau de deficiência. Ou seja, alguns dão conta de tocar uma cadeira manual, mas outros precisam de uma cadeira motorizada. A partir dessa necessidade foi criado o programa que obriga o INSS a fornecer uma cadeira de rodas motorizada a todo e qualquer brasileiro que dela precisar para se locomover com segurança e conforto, visto que o direito de ir e vir é garantido pelo nossa Constituição Federal, e cabe ao Estado prover todos os meios para que o cidadão exerça tal direito.
  7. Eu quero e ao mesmo tempo preciso Em razão disso foi criada a lei que obriga às organizações a destinar uma parcela de seu quadro de funcionários para pessoas com deficiência. Por que a necessidade de uma lei? Porque nem sempre o preconceito pode ser quebrado através de campanhas de conscientização. Há barreiras em nossa sociedade (o preconceito talvez seja a maior delas) que só se quebram na marra, sob a força da lei.
  8. Eu quero viajar a turismo. Isso me faz precisar de um hotel que me seja acessível, que me garanta o mesmo conforto que oferece a todos os seus hóspedes. Para que isso fosse realidade, foi necessária a criação de normas e leis por parte do Ministério do Turismo, que exigem desses empreendimentos o atendimento dessas
  9. Ao chegar ao meu destino turístico, eu também quero fazer aqueles passeios oferecidos pelas agências. Então eu preciso que os ônibus a ser usados nesses passeios sejam acessíveis ao cadeirante.
  10. Eu quero aprender inglês (que hoje é mais do que querer, é uma necessidade) Eu preciso de uma escola que atenda às minhas condições de cadeirante. Hoje as únicas que nos atendem 100% são as escolas virtuais, diga-se de passagem, com excelente qualidade.

Poderíamos seguir aqui enumerando uma infinidade de querer e de precisar.

Note que uma coisa sempre puxa a outra. O querer sempre vem junto de uma necessidade (precisar) para ser satisfeito.

A vida é assim para com todos. E não tem como ser diferente com o cadeirante.

Portanto, o resumo da ópera é: o cadeirante quer ser respeitado.

Quando se faz qualquer coisa destinada ao público, essa coisa vem com total acessibilidade para facilitar às pessoas. Por que, então, deixar de fora o cadeirante e as demais pessoas com deficiência?

Queremos e precisamos fazer parte, estarmos inseridos.

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O item 1 e 2 eu quero é preciso!


  • Eu necessito que os ônibus inter municipais e inter estaduais sejam adaptados com elevador, pois eu quero viajar como turista, conhecer novos lugares, é um direito meu, hoje estou aposentada e sempre contribui com impostos e nunca tive por parte dos transportes rodoviários inter municipais e estaduais esse meu direito de ir e vir, embora contribuinte, respeitado. Também tenho a necessidade de viajar, sou cadeirante, pela saúde, pois na cidade que moro nem sempre tenho os tratamentos específicos à minha patologia. Atualmente faço tratamento neuro muscular numa clinica de reabilitação em São Paulo e viajo toda semana, moro em Peruibe-SP não há tratamento para a minha patologia “Síndrome da pós-poliomelite” , normalmente uso a CIA BREDA para viajar, e passo pelo constrangimento de ser carrega para o ônibus, além desse constrangimento tenho que contar com a má vontade dos motoristas, portanto eu quero, tenho direito e necessito que essa empresa adapte seus ônibus e conto com o apoio de vocês para isso.