Inclusão profissional traz motivação e desafios para pessoas com deficiência

Brasil possui mais de 45 milhões de Pessoas com Deficiência (PCDs), o que representa cerca de 24% da população, conforme o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Porém, no mercado de trabalho elas são apenas 0,9% do total de carteiras assinadas. A notícia boa é que essa realidade vem mudando nos últimos anos graças a uma nova política de contratações das empresas.

Segundo dados de 2016 do Ministério do Trabalho, 418,5 mil PCDs estavam empregadas no Brasil, número 3,8% maior do que o registrado em 2015. Esse contingente vem crescendo ano a ano, mas quem tem alguma deficiência ainda encontra muitas barreiras para conseguir trabalhar.

Para a superintendente do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD), Teresa Costa d’Amaral, as empresas ainda tomam a iniciativa de contratar PCDs baseadas em questões pessoais, por terem contatos com portadores de necessidades especiais ou pela obrigação legal. A lei brasileira determina que empresas com mais de 100 funcionários reservem de 2% a 5% das vagas para PCDs.

Em geral, diz Teresa, há preconceito tanto da sociedade quanto de empresas. “Muitas vezes, as empresas não enxergam essas pessoas como profissionais qualificados”, argumenta. Ela costuma ouvir de empresários que faltam PCDs qualificados, mas argumenta que só no banco de currículos do IBDD, por exemplo, 1/3 dos cadastrados possuem ensino superior completo.

Emprego gera cidadania

O acesso à qualificação profissional é um desafio, transposto por muitos deficientes apesar dos entraves como a falta de professores qualificados, de mecanismos de acessibilidade nas instituições de ensino e de estímulos governamentais.

Mas a qualificação é fundamental para começar a trabalhar. Mais do que simplesmente garantir renda, a inserção no mercado é uma questão de cidadania para as pessoas portadoras de deficiências. “Ter um trabalho é muito importante para a cidadania. E essa dificuldade que o deficiente tem tira dele a cidadania”, aponta.

Processo seletivo igualitário

Marco Aurélio de Barros Santos, 39 anos, é um exemplo de como a inserção de PCDs não deve ser tabu. Paraplégico há 20 anos devido a um acidente automobilístico, Santos é agente em gestão de pessoas no setor de Recursos Humanos da CCR AutoBAn. Ao sofrer o acidente, poderia se aposentar, mas recusou. “Eu disse ‘pode me dar alta que vou voltar a trabalhar’”, lembra.

Para ele, o mercado de trabalho para portadores de deficiências tem melhorado no Brasil, apesar das dificuldades. Responsável pela contratação de pessoal para a empresa, Santos diz que a admissão é como a de qualquer outro funcionário. “A gente faz processos mistos, para não haver essa diferenciação. O deficiente participa como outro qualquer, sem ter a intenção de avaliar a deficiência. A gente avalia a questão profissional”, explica. Após serem contratados, os funcionários passam por um treinamento como todos os outros para que estejam aptos a cumprir suas funções.

Mais perto dos sonhos

Há 4 anos, a gaúcha Manuela Magalhães, 25 anos, decidiu que queria ser dona do próprio nariz. Para isso, ela fez um currículo e pediu para a irmã entregar em uma loja de departamentos na cidade de São Leopoldo, região metropolitana de Porto Alegre. Portadora da Síndrome de Down, ela logo foi chamada para uma entrevista e conquistou uma vaga no estoque. “Mas não gostei muito, lá ficava longe das clientes”, lembra.

Mas isso não foi um problema para Manu. Ela lutou por uma colocação melhor e hoje é atendente de loja. Com dinheiro no bolso, comemora os primeiros passos em busca de um sonho: comprar a própria casa. “Eu quero também casar, ter filhos e construir uma família, além de fazer um curso de massagem”, diz.

Manu comemora o espaço que as pessoas com Down estão ganhando no mercado. Ela conta que quase todos seus amigos portadores da mesma síndrome estão trabalhando. Alguns em outras lojas, hotéis e farmácias. “Quando a gente quer, a gente consegue trabalho. Precisamos é ter foco e buscar o que quereremos. Além de fazer um bom currículo”, orienta.

Primeiro emprego

Fernanda Bianca de Oliveira, 22, teve sua primeira oportunidade de trabalho há pouco mais de dois anos. Portadora de lesão congênita na mão direita, ela hoje atua como agente de monitoramento do Centro de Controle Operacional na CCR RodoNorte. É uma das responsáveis pelo monitoramento de problemas como acidentes, panes mecânicas, presença de objetos na pista, obras, entre outros. “Monitoro tudo o que acontece na rodovia. É preciso agilidade”, conta.

Estudante de Engenharia de Produção, Fernanda comemora a inclusão profissional de PCDs nas empresas. “É uma oportunidade para mostrar que você é capaz de trabalhar”, afirma.

Fernanda é responsável por monitorar rodovias  (Foto: CCR RodoNorte / Divulgação) Fernanda é responsável por monitorar rodovias  (Foto: CCR RodoNorte / Divulgação)

Fernanda é responsável por monitorar rodovias (Foto: CCR RodoNorte / Divulgação)

Além da inserção profissional

Desde 2015, o Grupo CCR possui um Programa de Inclusão de Pessoas com Deficiência. Atualmente, o quadro de funcionários PCDs é de 344, sendo que 118 são mulheres. Desse total, 41 deles já atuam na companhia há mais de 10 anos. “Acreditamos que o grande erro é não investir no desenvolvimento desses profissionais. Entendemos que eles precisam ser estimulados, cobrados e terem acesso às oportunidades como todos os colaboradores da companhia”, comenta o Diretor de Desenvolvimento Empresarial do Grupo CCR, Antônio Linhares.

Mas inclusão não é apenas inserir pessoas no mercado de trabalho, ela passa também por incentivo a projetos culturais, artísticos e esportivos nas comunidades. É o que faz o Instituto CCR, que apoia mais de 500 iniciativas próximas das áreas de atuação da empresa, sejam iniciativas focadas em pessoas com deficiência ou não. “Promover inclusão é promover desenvolvimento sustentável. E esse é exatamente o foco do Instituto CCR: a geração de transformações sustentáveis nas comunidades onde estamos presentes”, explica a Gestora do Instituto CCR, Marina Mattaraia.

Dos projetos ligados a pessoas com deficiência, um exemplo é TQT – Teclas que Transformam – Inclusão e Acessibilidade, do Grupo de Apoio NISFRAM, que será apoiado em 2018 pelo Instituto CCR. Seu foco são recrutamento e seleção de pessoas com deficiência para empresas.

Fonte: G1

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