Pessoa Com Deficiência Não é Criança

Pessoa com deficiência é uma coisa, criança é outra. O que você sentiria se várias pessoas passassem a mão na sua cabeça e fizessem um carinho como se você fosse criança?

Pois um grande número de pessoas se sente no direito de fazer isso, sem a menor cerimônia, com o cadeirante.

É uma verdadeira infantilização da pessoa com deficiência. Para elas, somos assim: inocentes e inaptos à produtividade.

Há uma celebridade mundial que se indignava furiosamente com isso. Estou falando de Diego Maradona. Isso mesmo, o grande craque do futebol, campeão do mundo pela seleção da Argentina.

Mas como o Maradona entra nessa história?

Na época de sua infância, Maradona tinha um colega de escola com deficiência física, o garoto andava apoiado em duas muletas. Enquanto Maradona era craque de bola, o menino era craque em matemática e ajudava muito ao Maradona nessa matéria. Inclusive fazia vários trabalhos escolares para ele.

Quando, enfim, a fama chegou (e chegou precocemente), Maradona exigiu que todos os clubes (e eram gigantes do futebol internacional) negociassem com seu amigo, que se tornou o poderoso empresário do super craque.

Entretanto, as pessoas que chegavam para negociar tinham a mania de dar tapinhas paternalistas nas costas de seu amigo e agora empresário. Maradona percebia o ar de “coitadinho” no ar e se irritava, com todo aquele seu jeito típico de se irar com qualquer coisa que o aborreça.

Pessoa com deficiência não é criança

Ao nos tratar feito crianças inocentes estão mandando um recado de total desconsideração com nosso potencial profissional, com nosso potencial produtivo, com nossa seriedade, com nossa maturidade.

Muitas empresas pensam assim e acabam por não nos contratar. Ou quando o fazem por força da reserva legal de vagas, colocam-nos em funções bem rasas e ali ficamos para todo o sempre, amém.

Tratar-nos com tapinhas paternalistas nas costas ou, pior ainda, com uma mãozinha na cabeça é um tremendo desrespeito. Por que não fazem isso com as outras pessoas? Porque certamente têm medo da reação delas. Mas como somos pessoas com deficiência que reação poderíamos ter? Esta é a lógica imbecil da coisa.

Pessoa com deficiência merece respeito

A questão é: se não te respeitam como adulto, se não te respeitam como profissional, como é que você vai lutar no mercado de trabalho com igualdade de oportunidades?

O cerne da questão aqui é justamente este: igualdade de oportunidades. E isso começa com igualdade de tratamento. Pessoas com deficiência querem, merecem e exigem ser tratadas com respeito.

Não queremos tapinhas nas costas, mãozinha na cabeça. Rechaçamos tudo isso. Detestamos tudo isso. Vai passar a mãozinha na cabeça da vovozinha. Aqui não violão.

Somente quando olharem para a pessoa com deficiência da forma como, de fato, deve ser olhada, como adulto, como profissional capaz de produzir e de entregar resultados, é que vamos começar a ter a igualdade de oportunidades.

Bobos são os empresários que nos negam essas oportunidades. Estão perdendo pessoas dedicadas e competentes. Muitas vezes valorizam alguém pela condição física dentro dos padrões predeterminados pela mídia, pela sociedade e acabam pagando um alto e amargo preço contratando alguém sem preparo, sem comprometimento. Alguém que não veste nem nunca vai vestir a camisa da empresa.

Trate bem e com respeito as pessoas com deficiência. Dê a elas a mesma oportunidade que dá às outras pessoas e, com certeza, vai colher excelentes frutos.

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