Rafinha Bastos Tenho Uma Resposta p/ Você

Rafinha Bastos, respeitosamente eu venho aqui responder aos seus argumentos em relação á campanha de apoio aos jogos paralímpicos, que vão ter início, no Rio de Janeiro, no próximo dia 7 de setembro.

Por uma decisão ridícula, os responsáveis pelas paralimpíadas resolveram fazer uma campanha publicitária em apoio ao evento, utilizando os atores Cléo Pires e Paulinho Vilhena que, através de uma montagem de computação gráfica, aparecem como se fossem amputados de um dos membros.

A polêmica se deu imediatamente, pois todas as pessoas com deficiência ficaram revoltadas com a ideia de se utilizar atores não deficientes no lugar de atletas paraolímpicos. Ou seja, varreram-nos para debaixo do tapete (de novo).

Rafinha Bastos não entendeu nada

No meio disso tudo, surge o humorista Rafinha Bastos para dizer que estamos com mi-mi-mi. E argumenta: para combater o racismo, preciso ser negro? Para combater a homofobia, preciso transar com gay?

Não Rafinha Bastos. Para combater o racismo não preciso ser negro, mas também não preciso pintar minha pele de preto. Para combater a homofobia não preciso transar com gay, mas também não preciso fingir que sou gay.

Assim sendo, por que então os atores precisam se fazer de pessoas com deficiência para apoiar os jogos paralímpicos?

Por que não utilizar nessa campanha os próprios atletas paralímpicos brasileiros? Que, aliás, trazem muito mais medalhas para o Brasil do que os atletas sem deficiência física.

Sem dúvida, tanto a decisão dos responsáveis por essa campanha, quanto os argumentos do humorista Rafinha Bastos são de uma infelicidade sem tamanho. Tudo isso mostra o quanto ainda somos atrasados em relação ao verdadeiro respeito para com as pessoas com deficiência.

Ora, não podemos admitir que tratem de nossos interesses sem a nossa participação. Onde já se viu isso?

Dizem que defendem a inclusão, que apoiam os jogos paralímpicos e, ao mesmo tempo, nos deixam de fora da campanha publicitária de apoio a esses jogos?! Não. Mil vezes não.

E, Sr. Rafinha Bastos, não estamos com mi-mi-mi. Essas questões nos são muito caras. A pele que sente essa dor do preconceito e da exclusão é nossa. Não é tão infantil e simples como o senhor está divulgando. Se não foi para ajudar (e não ajudou) nem deveria ter feito o vídeo. Desculpe-me, mas prestou um desserviço. Com todo o respeito e acatamento que o senhor merece. E merece de verdade.

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