Vaga especial não é sua nem por um minuto

Vaga especial não é sua nem por um minuto – não há nada mais irritante para um cadeirante do que chegar a um local onde precisa resolver alguma coisa, e encontrar a vaga especial de estacionamento ocupada por uma pessoa que não tem a mínima necessidade dela. O mais irritante ainda é a desculpa esfarrapada de que estacionou ali apenas por um minutinho. Primeiro que ninguém estaciona só por um minuto. Segundo que, como todos usam esse fajuto argumento, de minuto em minuto, nosso direito é usurpado nas vinte e quatro horas do dia.

Certa vez ocorreu algo que, na minha concepção, é de extrema vergonha quiçá de extrema tristeza. Eu cheguei a um shopping, estacionei em uma das vagas reservadas para os cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

Mal havia descido do carro, um sujeito estacionou uma caminhonete gigante na outra vaga especial e, tranquilamente, desceu acompanhado de seu filho, que deveria ter uns 12 anos, se tanto.

O garoto ao me ver e ao observar o que seu próprio pai havia feito, começou a dizer a ele que aquilo não podia acontecer, que ele deveria retirar sua caminhonete imediatamente.

Em princípio o sujeito fez de conta que nada estava acontecendo. Mas a insistência de seu filho foi tão veemente, que ele não teve outra alternativa a não ser corrigir seu vergonhoso gesto.

Vaga especial não é sua nem por um minuto, nem por um segundo, nem nunca

Para fazer as pessoas desrespeitadoras sentirem na própria pele o famigerado argumento de um minutinho, um grupo de ativistas resolveu fazer uma campanha colocando cadeiras de rodas nas vagas comuns de estacionamento. Quando o motorista chega se depara com um cartaz dizendo que o dono da cadeira de rodas está ocupando aquela vaga apenas por um minuto.

O mais inacreditável foi a reação de alguns desses motoristas. Houve gente que desceu xingando e, não contente, jogou longe a cadeira de rodas. A fúria tomou conta da maioria deles. E olha que elas experimentaram do próprio veneno apenas uma única vez na vida. Imagina, então, o que nós cadeirantes, que enfrentamos isso toda hora, sentimos? Pois é, essa vaga não é sua nem por um minuto!

O que você achou? Deixe seu comentário: