Deficiência Física, O Que Define Sua Gravidade?

Todo mundo sabe que a deficiência pode ser classificada entre moderada e grave.

O conceito de classificação do grau de gravidade de uma deficiência física leva em conta, hoje, o lugar onde a pessoa com deficiência física vive. Isso está mudando tudo sobre essa questão.

A ideia leva em conta a acessibilidade da cidade onde o deficiente físico passa a maior parte de seu tempo.

Por exemplo, a locomoção de um cadeirante de forma independente na cidade de São Paulo, uma das quatro maiores cidades do mundo, é praticamente impossível.

Já a locomoção de forma totalmente independente de um cadeirante na cidade de Nova York é absolutamente tranquila e eficaz.

Vejamos os pontos que fazem essa diferença.

1) Na cidade de São Paulo é simplesmente impossível para qualquer deficiente se locomover sozinho pelas calçadas, pois são muito irregulares e cheias de buracos.

2) As rampas nas esquinas terminam em degraus e canaletas que derrubam qualquer pessoa com algum tipo de deficiência.

3) Motoristas estacionam seus carros sobre as calçadas, em frente às rampas e nas próprias vagas de estacionamento exclusivas para pessoas com deficiência.

4) Os ônibus possuem elevadores que nunca funcionam. Quando, por acaso, o equipamento não está quebrado, o motorista não sabe operá-lo, pois nunca foi treinado para tal.

5) O número de táxis adaptados para cadeiras de rodas é ainda bastante reduzido e, portanto, insuficiente.

6) Atravessar qualquer rua, mesmo com o sinal fechado, é tarefa suicida, pois além das rampas irregulares, o cadeirante ou uma pessoa com qualquer outro tipo de deficiência, vai encontrar buracos no meio da rua e motoristas que não respeitam o sinal vermelho. Ou seja, a chance de você ser atropelado é altíssima.

7) Entrar em uma loja também não é tarefa fácil, pois a esmagadora maioria possui degraus e não rampas na porta. E lá dentro, em se tratando de loja de roupas, você não encontra uma que tenha um provador acessível para pessoas que usam cadeiras de rodas.

8) O metrô possui apenas algumas poucas estações com acessibilidade. A maioria é inacessível para os deficientes físicos.

9) Usar o próprio carro é a única opção, mas as vagas exclusivas de estacionamento, em geral, estão ocupadas por quem não precisa delas.

Agora veja como é em Nova York.

1) Em toda a cidade de Nova York, a mais importante do mundo, que possui 8 milhões de habitantes e recebe 54 milhões de turistas por ano, as calçadas são lisas, largas e desimpedidas. O cadeirante e demais pessoas com deficiência conseguem se locomover com total tranquilidade. Isso em todas as calçadas da cidade que, ao todo, somam cerca de 10 mil quilômetros. A acessibilidade é total não só para pessoas com deficiência, mas para todos os cidadãos que moram ou que visitam aquela cidade.

2) As rampas nas esquinas das ruas são de uma inclinação perfeita e se encontram com o asfalto em nível zero. Isso faz toda a diferença, pois permite ao cadeirante descer ou subir sem pedir ajuda a ninguém. Ou seja, locomove-se de modo verdadeiramente independente.

3) Em Nova York ou em qualquer uma das 36 mil cidades dos Estados Unidos, nenhum motorista sequer pode sonhar em estacionar seu carro sobre a calçada. Isso definitivamente não acontece por lá. Primeiro, porque são muito bem educados desde a escola fundamental. Segundo, porque se não respeitarem a lei, a coisa fica feia. O carro é rebocado, o motorista é multado e vai até preso.

4) Os ônibus possuem elevadores. A manutenção deste equipamento está sempre em dia. Os motoristas são muito bem treinados e o cadeirante é perfeitamente atendido da maneira que deve ser. Sem constrangimentos, sem aborrecimentos, sem humilhações.

5) O número de táxis adaptados para cadeirantes é suficiente para atender à demanda daquela mega cidade. Além disso, a prefeitura mantém um serviço de porta a porta, que feito por vans especiais, conduzidas por pessoal devidamente treinado.

6) Atravessar a rua é uma tarefa segura. As rampas nas esquinas são regulares, não há buracos no asfalto e o sinal vermelho é respeitado. Inclusive, em bairros onde há mais idosos, os sinais são programados para demorar mais tempo, a fim de permitir ao idoso ou pessoa com deficiência física atravessar com segurança, sem correria. Cerca de 400 semáforos de Nova York tem essa programação mais demorada.

7) Em Nova York o cadeirante consegue entrar sem ajuda de ninguém em qualquer loja. E as lojas de roupas possuem provadores adaptados para cadeirantes, onde você pode provar as roupas de modo seguro e confortável.

8) A maioria das estações de metrô possuem adaptações para cadeirantes. E quando não possuem, há sempre uma placa indicando a estação acessível mais próxima. Lembrando que lá o metrô tem mais de 130 anos. Por isso nem tudo é acessível.

9) Usar o próprio carro também é fácil, tirando o grande movimento do trânsito, pois todas as vagas de estacionamento reservadas para cadeirantes são sempre respeitadas. Além da educação, a polícia age com rigor em cima de algum engraçadinho que, porventura, queira avacalhar a coisa.

Todos esse fatores levados em conta, determinam se uma deficiência física é grave ou moderada.

Na verdade o foco não deve ser posto na deficiência física em si, mas na mobilidade urbana das cidades. Neste quesito, qualquer deficiência física no Brasil é gravíssima.

Junte-se a nós!

Deixe seu e-mail e receba vídeos e dicas imperdíveis para você ter qualidade de vida!>

O que você achou? Deixe seu comentário: